O portal de economia Mercado Hoje publicou, em 30 de setembro de 2026, artigo de Rogério Queiroz, advogado e cofundador da Bebaby, sobre como funciona o setor de relacionamento sugar no Brasil.
No texto, Rogério Queiroz parte de uma constatação: o relacionamento sugar deixou de ser assunto de nicho no Brasil. Hoje é um segmento com plataformas próprias, milhões de usuários cadastrados e uma discussão pública em que curiosidade, preconceito e desinformação aparecem em doses parecidas.
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O tamanho do setor no Brasil
Segundo o artigo, a plataforma mais antiga do país opera há cerca de dez anos. A Bebaby, criada em 2021, já soma mais de 5 milhões de cadastros — hoje são aproximadamente 3,2 milhões de perfis femininos e 900 mil masculinos.
Para o autor, números dessa ordem não se explicam por modismo. Eles indicam uma demanda real, dos dois lados, que os aplicativos de relacionamento tradicionais não atendiam.
O que a lei diz sobre relacionamento sugar
O ponto que mais gera dúvida é o jurídico. Não existe, no ordenamento brasileiro, vedação a que dois adultos capazes mantenham um relacionamento com apoio financeiro de um para o outro. Presentes, mesada, ajuda com aluguel ou com a faculdade são lícitos, e a doação entre pessoas capazes é tratada no Código Civil a partir do artigo 538.
O que o Código Penal pune, nos artigos 228 e 229, é a exploração por terceiros. Por isso, explica Rogério, a diferença entre uma plataforma de relacionamento e um serviço de intermediação não é retórica: uma plataforma séria não negocia encontros, não intermedeia valores e não cobra comissão sobre o que os usuários combinam entre si. Ela conecta pessoas e sai do caminho.
Como as plataformas se sustentam
O modelo de receita é praticamente padrão no setor: o acesso feminino é gratuito e a receita vem quase toda de assinaturas masculinas. A lógica é a de um marketplace de dois lados — sem gente dos dois lados não existe produto, e por isso o lado mais escasso na largada é subsidiado.
O artigo aponta um efeito menos óbvio desse desenho: ele funciona como filtro. Quem paga uma mensalidade tende a levar a conversa mais a sério do que quem entra de graça e desaparece depois de poucas mensagens.
O que cada lado procura
Contra a caricatura do homem rico e da jovem interesseira, o texto descreve perfis bem menos cinematográficos. Do lado feminino, a motivação predominante é previsibilidade: a mensalidade da faculdade, o aluguel dividido, o acesso a experiências que o salário não cobre.
Do lado masculino, aparecem com frequência homens entre 40 e 60 anos, com carreira estabelecida, que preferem companhia com regras combinadas a meses de sinais ambíguos.
Por que o modelo funciona: expectativas explícitas
Para o autor, o que explica a permanência do modelo é a transparência. No relacionamento sugar, a conversa que muitos casais evitam acontece logo no início: frequência dos encontros, exclusividade, tipo de apoio e o que acontece se um dos dois quiser encerrar. Combinar isso não é frieza — é a forma mais honesta de evitar que alguém saia machucado por um mal-entendido.
Para entender o formato em detalhe, o nosso guia sobre o que é relacionamento sugar explica as combinações mais comuns entre os dois lados.
Segurança e o golpe do adiantamento
O artigo também trata da principal vulnerabilidade do setor: o golpista que se passa por homem de posses, promete uma transferência e pede que a mulher pague antes uma suposta taxa de liberação. A regra prática não tem exceção: quem vai te pagar não pede dinheiro seu. O tema já foi assunto de outra matéria sobre o golpe do falso patrocinador.
Combater esse tipo de fraude exige investimento contínuo em verificação, moderação, conversas dentro da plataforma e canais de denúncia. Na Bebaby, todos os perfis passam por prova de vida com análise humana antes de ficarem visíveis — o passo a passo está na página sobre como a Bebaby verifica os perfis.
O que ainda falta ao setor
Rogério aponta uma lacuna: a tributação. Doações entre pessoas físicas estão sujeitas ao ITCMD estadual quando ultrapassam os limites de isenção de cada estado, que variam bastante — um tema que quase ninguém no setor aborda com clareza.
A conclusão do artigo é que o relacionamento sugar não é uma anomalia brasileira, e sim a formalização de um arranjo que sempre existiu. “O que mudou não foi o comportamento — foi a infraestrutura.” A pergunta, para o autor, é se o setor vai crescer com verificação, transparência e responsabilidade, ou sem nada disso.
Leia o artigo completo
Confira o texto original no Mercado Hoje:
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